A Fatura dos Conectores Premium que Ninguém Antecipa
Um cliente constrói um fluxo instantâneo simples no Power Automate, iniciado por um botão. Funciona durante meses com conectores standard, até que alguém acrescenta uma ação de SQL Server para ir buscar um registo de cliente, e todos os colaboradores que executam esse fluxo passam subitamente a precisar de uma licença premium. Ninguém assinalou isso na fase de desenho. Ninguém assinala até aparecer a fatura, ou o banner "este fluxo vai ser desligado". Esta semana trouxe também uma atualização genuinamente útil ao Copilot no SharePoint, por isso cobrimos as duas coisas: uma armadilha de licenciamento a vigiar, e uma capacidade nova que vale a pena experimentar esta semana.
O que saiu (e o que vai desaparecer)
Copilot no SharePoint: as personal skills passam a ter avaliações. As personal skills, instruções reutilizáveis do Copilot guardadas como ficheiro markdown no OneDrive e que acompanham o utilizador em todos os sites do SharePoint em vez de ficarem presas a um só, chegaram a public preview em agosto e entram em rollout mundial em dezembro de 2026. A atualização deste mês acrescenta a capacidade de medir e melhorar essas skills ao longo do tempo, e o Copilot no SharePoint passa a devolver cartões mais consistentes e previsíveis no chat, tornando aprovações e próximos passos mais fáceis de ler. O que isto significa para uma PME: um quadro que construa uma vez uma skill do tipo “transforma este documento num briefing conciso” pode reutilizá-la em todos os sites onde trabalha, sem a recriar de cada vez. É uma funcionalidade pequena, mas é do género que muda discretamente o valor que uma licença de Microsoft 365 Copilot entrega no dia a dia.
O SharePoint passa a dizer aos assistentes de IA como construir HTML que funciona mesmo. Todos os tenants de Microsoft 365 têm agora uma página de orientação de HTML específica do tenant, para que qualquer assistente de IA, Cowork, GitHub Copilot, Copilot Studio ou outro agente, possa ser apontado a instruções atualizadas sobre como construir HTML que renderiza corretamente dentro da sandbox do SharePoint, incluindo HTML que se mantém ligado em direto a uma lista do SharePoint. A página de orientação já está disponível, mas a capacidade que documenta, páginas HTML nativas no SharePoint, ainda está em targeted release e não em disponibilidade geral, com rollout mais alargado previsto para outubro de 2026. Os assistentes de IA geram normalmente HTML web standard, e a política de segurança de conteúdos do SharePoint quebra silenciosamente boa parte dele, por isso isto resolve uma dor real e concreta mesmo antes de o rollout mais largo estar completo. Para quem na AvantIT anda a prototipar dashboards ou relatórios gerados por IA para um cliente, vale a pena apontar as ferramentas diretamente a esta página em vez de depurar falhas da sandbox por tentativa e erro, e vale a pena confirmar que o tenant do cliente tem mesmo páginas HTML ativadas antes de prometer seja o que for.
Os adaptive scopes do Purview ganham um refinamento de ciclo de vida. Os adaptive scopes para DLP do SharePoint, que visam sites dinamicamente com base em atributos em vez de uma lista mantida à mão, vão passar a ter controlos de estado de ciclo de vida (Message Center MC1450128, Roadmap ID 568785). Entram em public preview a partir de meados de setembro de 2026, com conclusão prevista para o início de outubro, e disponibilidade geral mundial entre meados de outubro e meados de novembro de 2026. Os administradores vão poder escolher se donos de site inativos ou eliminados de forma reversível contam para a pertença ao scope; os scopes novos vão, por omissão, avaliar apenas donos ativos. Se um cliente já usa adaptive scopes, isto é para acompanhar ao longo dos próximos dois meses e não para agir de imediato, já que ainda está em preview.
Em foco: conectores, standard vs premium, e o custo por utilizador que aparece tarde
A situação. Um fluxo do Power Automate começa simples: gatilho a partir de uma lista do SharePoint, enviar um email, atualizar um registo. Tudo conectores standard, sem conversa de licenciamento à vista. Depois o requisito de negócio cresce, alguém precisa de ir buscar dados a uma base de dados externa, chamar uma API de terceiros ou escrever diretamente no Dataverse, e o fluxo passa a tocar num conector premium. Segundo a própria documentação de licenciamento da Microsoft, se isso se torna um problema de todos ou apenas de uma pessoa depende da forma como o fluxo é despoletado, e essa distinção raramente surge antes de o fluxo já estar em produção.
As opções. Há na verdade três caminhos quando um fluxo precisa de um conector premium: (1) redesenhar para o evitar, muitas vezes encaminhando a chamada externa através de outro sistema já licenciado; (2) aceitar o requisito premium e licenciar em conformidade; ou (3) se o processo cresceu para lá de “automação rápida” e passou a ter peso real no negócio, movê-lo para Power Apps e Dataverse, onde o licenciamento é mais claro e as ferramentas de governance foram feitas para escalar.
Os critérios. Fique só com standard quando todo o percurso do fluxo vive dentro do Microsoft 365: gatilhos e ações de SharePoint, Teams, Outlook e OneDrive. Vá para premium, deliberadamente, quando a integração precisa genuinamente de um sistema externo, um ERP, uma base de dados SQL, uma API à medida. Passe para Power Apps e Dataverse quando um “fluxo” se tornou discretamente um processo de negócio com vários intervenientes, requisitos de auditoria ou necessidade de gestão adequada do ciclo de vida aplicacional.
O custo escondido. De acordo com a documentação de licenciamento do Power Automate, os fluxos automatizados e agendados correm no contexto da licença do dono do fluxo, pelo que uma licença Premium no dono pode cobrir o fluxo inteiro. Os fluxos instantâneos, os que arrancam a partir de um botão ou da submissão de um formulário, correm com a licença de quem os invoca: se esse fluxo tocar num conector premium, cada pessoa que o despoleta precisa da sua própria licença Premium, ou o fluxo precisa de uma licença Process atribuída diretamente a ele em vez de se licenciarem pessoas uma a uma. Esta distinção passa facilmente despercebida na fase de desenho, porque quem constrói o fluxo tem quase sempre já a licença certa e nunca vê o problema da forma como um colega sem licença o vai ver. Há uma segunda armadilha que convém conhecer: a Microsoft reclassifica periodicamente conectores de standard para premium, como fez com os conectores de SQL, Azure e vários de Dynamics 365, o que significa que um fluxo que era totalmente standard quando entrou em produção pode tornar-se um problema de licenciamento mais tarde sem que ninguém mexa numa única ação.
A recomendação. Verificamos a lista de conectores, e a forma como o fluxo é despoletado, antes de desenhar, não depois. Para qualquer fluxo com um conector premium, assumimos por omissão ou uma licença Process no próprio fluxo ou uma única conta de serviço dedicada, em vez de partir do princípio de que todos os utilizadores que o invocam já estão cobertos, e documentamos essa decisão para que ninguém redescubra a fronteira de licenciamento da pior maneira durante uma auditoria.
Um exemplo real. Uma sociedade de contabilidade que assessorámos tinha um fluxo de submissão de despesas, um fluxo instantâneo que os colaboradores iniciavam a partir de um botão no Power Apps, a correr sem problemas com conectores standard há mais de um ano. Uma adição bem-intencionada, uma consulta a SQL Server para validar IDs de fornecedores contra um sistema financeiro antigo, transformou-o num fluxo premium. Como era instantâneo e não automatizado, cada colaborador que submetia uma despesa precisava da sua própria licença Power Automate Premium, e não apenas o dono do fluxo. Ninguém reparou até o diretor financeiro perguntar porque é que a rubrica do Power Automate na fatura da Microsoft tinha disparado. Atribuir uma única licença Process ao fluxo, em vez de licenciar todos os colaboradores, resolveu o caso numa tarde e trouxe o custo de volta ao normal.
Faça esta semana
- Experimente a nova página de orientação de HTML específica do tenant do SharePoint com o assistente de IA que usa para prototipagem, e compare o resultado com HTML que tenha gerado antes desta atualização.
- Se a sua organização ou um cliente já tem licenças de Copilot no SharePoint em uso, peça a um power user que tente construir uma personal skill esta semana; testar não custa nada e o valor acumula-se quanto mais sites a pessoa usar.
- Extraia a lista de fluxos ativos do Power Automate da sua organização e verifique se há ações de conectores premium (SQL Server, HTTP, Dataverse e semelhantes) que tenham sido acrescentadas depois de o fluxo ter entrado em produção.
Se algum destes pontos precisar de um segundo par de olhos, avantit.pt é um bom sítio para começar.
Esta edição foi publicada originalmente na newsletter AvantIT Insider no LinkedIn. Comentários e discussão acontecem lá.
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